Educando nossos filhos com equilíbrio

A vara da correção dá sabedoria, mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe." 
Provérbios 29.15

"Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) entrevistaram 6417 jovens de 10 a 20 anos para descobrir como anda o consumo de álcool entre eles. Concluíram que 20% dos meninos e 15% das meninas, entre 10 e 12 anos, haviam ingerido álcool nos últimos 30 dias. Entre 13 e 15 anos o percentual aumentou: 43% dos garotos e 40% das meninas tinham consumido bebidas alcoólicas. Quatro em cada dez adolescentes começam a beber antes dos 15 anos." 

A primeira pergunta que fiz ao ler essa estatística foi:
-Por quê? Por que tantas crianças estão se entregando compulsivamente a comida, as drogas, ao álcool, ao sexo? Será a liberdade excessiva dada pelos pais? 

Tanto a super proteção, como a liberdade em excesso causam grandes prejuízos para o ser humano. E como é fácil cairmos em extremos!
Crianças precisam de amor e liberdade na dosagem certa para que possam crescer com estabilidade mental e emocional.Fomos ensinados que, se amamos alguém, devemos tentar prendê-lo, protegê-lo de tudo e de todos, como se pudéssemos ser Deus e controlar alguma coisa. Na tentativa de resguardar, dominamos e sufocamos a semente do autogoverno na infância. 

A sociedade estimula nossa dependência psicológica de muitas pessoas a partir dos pais. E a autonomia também começa exatamente dos pais. Por isso, tantos choques na adolescência dos filhos, seres dependentes, ensaiando os primeiros passos na escolha da própria vida e os pais insistindo em mantê-los crianças controladas e escravas dos desejos paternos. 

Naquelas famílias onde o valor da autonomia é bastante considerado, e onde se sabe da sua importância para o sucesso e felicidade do filho, o movimento no sentido da liberdade é bem visto e não significa confronto com a autoridade de ninguém. Nessas famílias, o espaço de cada pessoa é respeitado, toleram-se as diferenças e há privacidade. Os pais reconhecem que a partir de determinada idade os filhos devem lutar pelos seus interesses e devem criar um mundo social de amizades e atividades fora de casa, não significando com isso, abandono. 

Nas famílias autoritárias, ao contrário, o valor da liberdade é substituído pela proteção, pelo apego (ciúme) e pela obediência. Os pais tomam como ofensa pessoal o filho desejar ir a uma festa com os colegas ao invés de ficar numa reunião familiar. Todos são obrigados a partilhar o tempo todo e toda privacidade é malvista." (Antonio Roberto - parte do artigo publicado no Jornal Estado de Minas, em 17/08/2003.)

Alguns pensam que dar liberdade é deixar a criança entregue a si mesma. "Deixe o menino fazer o que ele quer!", "Não discipline, não corrija; a criança pode ficar traumatizada!" Mas a Bíblia nos manda ensinar, corrigir. "Quem se nega a castigar seu filho não o ama; quem o ama não hesita em discipliná-lo." (Pv 13.24 NVI. Veja também Provérbios 10.13; 22.15; 23.14; 26.3; 29.15.) Isso quer dizer colocar limites, pois só assim poderemos ser realmente livres. Reconhecer nossos limites nos possibilita viver a liberdade em relação ao outro.

Corrigir não é espancar. Esse é um dos abusos que as crianças sofrem. O mau uso do poder, como todo excesso, só traz prejuízos. Quando isso acontece, a correção é feita sem amor, ou na hora errada, para descarregar a raiva. Isso não é disciplinar.
Disciplinar é "conversar sobre; perder o direito de...” É fundamental que haja compreensão por parte da criança da razão da disciplina, para que ela possa mudar seu comportamento. O medo, as críticas, a coerção geram mais problemas. Muitas vezes mudamos nossa atitude devido ao medo e a culpa tão usados na educação, infelizmente. No entanto, não mudamos nossa mente, nossos valores. Então, aquelas antigas atitudes tendem a voltar, nos deixando frustrados e tristes.

A "psicologia de fundo de quintal", como é conhecida pelos mineiros, é um exemplo do uso do medo e da culpa na tentativa de educar. Quem nunca ouviu a mãe dizer: "Menino, se você pular da janela vai virar ladrão", "Se você falar mentira seu nariz vai crescer", "O bicho papão vai te pegar". Seria muito mais eficaz explicar a criança a conseqüência de tais atos. 

Se uma boa conversa não resolver, a própria criança descobrirá os efeitos de suas ações, à medida que for crescendo. Em último caso, usamos a vara, com amor, calma, longe de expectadores e no lugar apropriado no "bumbum". Detalhe: se não doer mais naquele que está corrigindo, é porque há algo de errado. Pois, de acordo com a Bíblia, toda disciplina, no momento, dói em ambas as partes. "Nenhuma disciplina parece ser motivo de alegria no momento, mas sim de tristeza. Mais tarde, porém, produz fruto de justiça e paz para aqueles que por ela foram exercitados." (Hb 12.11-NVI.)

Equilibrar amor e liberdade é fundamental. Mas como conseguir isso? Tenha ânimo e esforce-se, seja forte e corajoso, porém com a direção do Senhor. O esforço humano se dissipa sem a orientação de Deus. "Se não for o Senhor o construtor da casa, será inútil trabalhar na construção. Se não é o Senhor que vigia a cidade, será inútil a sentinela montar guarda. (SI 127.1- NVI.)

Filhos são como flechas. Flecha talvez não seja uma figura de linguagem atualizada, mas todos nós sabemos do que se trata. Provavelmente já vimos uma em algum filme, e sabemos bem para que serve: Para ser lançada em direção a um alvo. "Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá. Como flechas nas mãos do guerreiro são os filhos nascidos na juventude. Como é feliz o homem que tem a sua aljava cheia deles!” (SI 127.3-5 - NVI.) 

Nossos filhos não são propriedade nossa, não nos pertencem! São da vida! Deus os colocou em nossa aljava para que os preparemos para serem lançados em direção ao alvo. Este é o objetivo: lançá-los... e não, prendê-los. Pois, para que serve uma flecha, senão para ser lançada? Crianças são como sementes, que devem ser lançadas ao solo para produzir. A semente, se guardada, não germina. A semente lançada germina e reproduz: a dez, cinqüenta e a cem por um; dependendo do solo.

Crianças são flechas. Você é o guerreiro. Prepare suas flechas, com amor e liberdade, para serem lançadas ao alvo. 

Fonte: Mensagem da Cruz. 2004. Por Alexandra Guerra Castanheira

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